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Voz aos Professores
Partilha de boas práticas

Da apresentação à participação: quando a inovação começa por ouvir.

Discussão da Reunião de Equipe

A Rumos Education esteve representada nas Jornadas Pedagógicas da ANESPO, da eRC - Escola Profissional Ruiz Costa, na pessoa da sua Diretora Pedagógica, Joana Ribeiro, que dinamizou, em conjunto com Manuela Baião, Diretora Pedagógica da Escola Profissional Escola Profissional do Vale do Tejo, o painel "Dilemas das Direções Pedagógicas – Conversa à volta da mesa".

A sessão desafiou os participantes a refletirem sobre alguns dos temas mais complexos da gestão pedagógica nas escolas profissionais, como a educação inclusiva, a gestão de recursos, a constituição de turmas ou a recuperação das aprendizagens.

Mas, mais do que marcar presença, a Rumos Education fez-se ouvir de uma forma diferente.

Perante uma plateia de mais de 100 participantes, Joana Ribeiro, em conjunto com Manuela Baião, optou por fugir ao modelo tradicional de apresentação, em que o orador fala e a audiência escuta. Recorrendo à plataforma Slido, transformou a sessão numa verdadeira conversa "à volta da mesa" - mesmo sem existir uma mesa comum.

Ao longo da apresentação, os participantes foram convidados a votar, responder a perguntas, partilhar dilemas e contribuir para a construção da discussão em tempo real. As respostas recolhidas orientaram o debate, permitindo que os desafios apresentados refletissem não apenas a experiência das oradoras, mas também as preocupações reais das direções pedagógicas presentes. A própria estrutura da sessão integrou vários momentos de interação através do Slido, reforçando esta lógica participativa.

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[o NIP conversou com a Joana Ribeiro]

O que te levou a optar por uma dinâmica participativa com recurso ao Slido?

O primeiro desafio que a ANESPO nos colocou foi de moderar uma “conversa à volta da mesa” sobre alguns dilemas que marcam o dia a dia das direções pedagógicas das escolas profissionais. Quando nos deparamos com a informação da inscrição inicial de 115 pessoas (ainda as inscrições estavam abertas!), tivemos de repensar o modelo da sessão.

Não queríamos de todo que este tema fosse tratado de forma expositiva, uma vez que nós não iriamos levar respostas a nenhuma questão. Queríamos, sim, que se tratasse de uma discussão aberta em que todos pudessem partilhar os seus dilemas, as suas perguntas, respostas e reflexões. Assim, tivemos de imaginar o auditório como uma grande mesa e encontrar uma ferramenta que nos permitisse promover a interação com os participantes sem estarmos a interromper o fluxo de conversa para colocar as questões numa aplicação própria, nem termos de aguardar as respostas de todos para as podermos analisar. O Slido abriu caminho para isso: a integração no PowerPoint da apresentação, permitiu desde o início que o público pudesse abrir a aplicação que iria utilizar até ao final da sessão, que pudesse interagir no seu tempo e que as respostas fossem projetadas em tempo real. Mantivemos os participantes envolvidos (com uma adesão à participação de 85%) e tivemos ainda aberta a secção de Perguntas e Respostas ao longo de toda a sessão. Isto permite que os participantes coloquem as suas questões quando estas surgem e que todos as possam ver e votar para podermos priorizar os temas a abordar no final. Permite ainda que os participantes interajam entre si e respondam às questões colocadas por outros. Claro que foi um risco, utilizar uma plataforma nova numa sessão desta responsabilidade, mas acredito que sem ela não teríamos atingido este nível de envolvimento dos participantes.

Qual foi o maior desafio de dinamizar um painel sobre os dilemas das direções pedagógicas perante uma plateia tão alargada?

Falar para diretores pedagógicos sobre os dilemas que estes próprios enfrentam no dia a dia pode ser considerado o desafio em si. No entanto, o receio era que os participantes tivessem expectativas diferentes em relação a esta sessão e que esperassem obter respostas a estas questões… Mas nós não tínhamos respostas, só perguntas dilemas e algumas frustrações comuns. E precisamente por isso, tínhamos de dar voz às pessoas e permitir que elas se expressassem e partilhassem também os seus dilemas e as suas abordagens aos mesmos. Precisávamos de fazer uma coisa para a qual muitas vezes nos falta o tempo: conversar! E daí perceber que, apesar termos diferentes áreas de qualificações e localizações geográficas, estamos todos no mesmo barco.

O que nos ensina esta experiência sobre inovação pedagógica?

Ainda há muito quem veja a inovação pedagógica como o reinventar da roda… Ou a informatização ou gamificação do ensino… É tudo muito complicado… Mas inovar é fazer diferente! E muitas vezes o fazer diferente pode ser tão simples como levar aqueles que não gostam de se expor perante o público a participar numa sessão com mais de 100 pessoas, a partilhar as suas reflexões sem pudor ou vergonha. E isto é válido para miúdos e graúdos: quer a plateia esteja repleta de diretores pedagógicos, quer esteja ela dentro de uma sala de aula - esta é uma das ferramentas que pode tornar o espaço de partilha mais seguro e, consequentemente, promover a participação de TODOS.

Este é um excelente exemplo de que a inovação pedagógica não reside apenas nas tecnologias utilizadas, mas sobretudo na intencionalidade pedagógica com que são colocadas ao serviço da aprendizagem e da participação. Ferramentas digitais, quando usadas para promover o diálogo, a reflexão e a construção coletiva de conhecimento, deixam de ser apenas um recurso tecnológico para se tornarem facilitadoras de experiências de aprendizagem mais significativas.

 

Porque inovar é, muitas vezes, tão simples - e tão desafiante - como trocar uma apresentação por uma conversa!

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